sexta-feira, 20 de maio de 2011

Os Agentes do Destino

(The Adjustment Bureau, 2011)




Gênero
Thriller
Duração
106min 
Origem
EUA
Direção
Geroge Nolfi
Roteiro:
Geroge Nolfi
Produção: 
Geroge Nolfi, Bill Carraro, Michael Hackett, Chris Moore
Atores:
Matt Damon, Emily Blunt, John Slattery 



Queira ou não, alem da qualidade, a publicidade também é um fator importante para o sucesso de um filme nas bilheterias. Isso inclui em quantas salas são exibidos os trailers, numero de trailers produzidos, outdoors, propagandas de TV, numero de pôster et Cetera. Algumas vezes temos bons filmes que passam direto pelo cinema, sem grandes bilheterias, por falta de divulgação. Os Agentes do Destino quase teve esse fim, sendo um filme quase que desconhecido até algumas semanas antes do seu lançamento. E pode ter certeza, com uma devida publicidade maior, esse filme seria um grande sucesso nas bilheterias.

Estamos falando de um ótimo filme, um dos melhores do ano. Plot interessante, boas atuações e uma direção inteligente. Apesar de tudo, o filme possuía um potencial enorme de ser um clássico moderno. Isso não diminui a qualidade do filme, mas deixa você pensando que poderia ter sido extremamente melhor.  O filme aborda temas polêmicos de maneira quase sorrateira. Deus, religião, livre-arbítrio e a capacidade do ser humano de se auto-destruir são comentadas e criticadas em plano de fundo de uma historia de romance impossível, uma jogada genial ao meu ver. É muito difícil comentar sobre esses assuntos de maneira segura, pois de certo modo eles ainda são um grande tabu da sociedade. Se você fala de Deus, ou é fanático ou é ateu, e ninguém gosta de assumir que sua raça é naturalmente propensa a maldade. Essa ainda é a visão de muitas pessoas.

O filme conta a historia de David Norris(Matt Damon), um jovem e promissor político, que por conta de um erro de um dos agentes do destino, descobre que o destino da humanidade é controlado por essa organização. Ela é formada por seres sobrenaturais com aparências humanas, que possuem poderes e fazem de tudo para que o plano do misterioso presidente da organização se complete, mesmo que nem eles saibam direito o porquê do que fazem nem aonde esse plano os levara. Norris então se vê tendo que ir contra esses agentes para ficar ao lado do grande amor da sua vida, Elise Sellas(Emily Blunt), uma bela dançarina que não esta destinada a ficar no futuro do político. Mas como ir contra uma organização, que aparentemente sabe de tudo e esta em todo lugar, e que preferi acabar com a vida dos dois amantes a deixá-los ficarem juntos? David então com ajuda de um agente chamado Harry Mitchell, resolve arriscar tudo em um ousado plano para ficar com o amor da sua vida, mesmo que isso arrisque seu futuro como político de sucesso.


O roteirista Geroge Nolfi(Doze homens e um novo segredo), que assume também pela primeira vez a direção, escreveu uma historia inteligente e possível. Inspirado em um conto de Philip K. Dick, cujas outras obras geraram os filmes "Blade Runner, o Caçador de Andróides", "O Vingador do Futuro" e "Minority Report", Nolfi prolongou a historia colocando vários questionamentos filosóficos dentro da mesma. Quem leu a obra de Dick “Adjustament Team”, percebera que ela fala apenas sobre os agentes e nada mais. A comparação deles com anjos, os questionamentos religiosos, sobre livre arbítrio e sobre o ser humano, e principalmente, o romance principal, foram todos criados por Nolfi. Então é justo que caia sobre ele os méritos do roteiro, mesmo não sendo oficialmente um roteiro original. Nolfi nos faz pensar em questões como até onde temos liberdade de escolha se Deus escreveu tudo que irá acontecer, ou por que o ser humano ao longo da historia sempre esta em guerra, mas pensamos isso sem perceber que o filme nos influencia, pois ficamos lubridiados com o romance de David e Elise. Outro fato também é que em nenhum momento os agentes assumirem que seu presidente é Deus, apesar de assumirem que também podem ser chamados de anjos e deixarem bem claro a natureza divina do misterioso presidente. Isso alivia os ânimos do filme, fazendo que a força religiosa da narrativa seja quase imperceptível.

Como diretor Nolfi não decepciona para seu primeiro filme. Com tomadas interessantes, principalmente as das “portas”, e cenários inteligentes e bem pensados, ele cria dois mundos diferentes que se misturam, o dos humanos e o dos agentes. Ele se mostra bem eficiente na montagem e edição de seu filme, fazendo cenas “sobrenaturais” parecer quase cotidianas. Isso não só humaniza o filme, como humaniza os próprios agentes. Você acaba por muitas vezes vendo eles quase como humanos cumprindo um trabalho que não sabem bem o motivo. As tomadas externas do filmes utilizam varias câmeras e elas são misturadas de forma bem eficiente, nos dando uma impressão de movimento continuo em perseguições. O amor repentino dos protagonistas não se torna um defeito, pois além de explicado na trama o porquê, é tão sofrido e demorado para se concretizar que você esquece que eles já são apaixonados um pelo outro. Nolfi começou de forma excelente sua carreira como diretor, e mostra que pode criar um nome nesse ramo.
Anthony Makie

Os atores são outro ponto forte do filme, que conta com vários nomes de peso. O casal principal possui química quase natural. Mas não podíamos esperar menos dos dois. Matt Damon(Bravura Indômita) é um dos melhores atores da “juventude de Hollywood”. Com uma filmografia enorme para sua idade e vários personagens principais famosos no currículo, Damon cria seu David fugindo do estilo de ação que o consagrou com seu agente Bourne, e criando algo totalmente novo. A não menos talentosa Emily Blunt(A jovem rainha Victoria) cria a, desculpem o clichê, outra metade da laranja ideal para 
Damon e Blunt
Damon. Sua Elise é exatamente o oposto a David, mas de forma positiva, como se um completasse o outro. Queira o não eles tinham a responsabilidade de cativar o publico para que a historia do filme desse certo, e realizam esse papel de forma competente. Os outros nomes também fazem atuações belas completando o filme, principalmente os agentes que mais vemos interagir com David. O experiente Terence Stramp(O Procurado) cria o mais próximo de um vilão que o filme chega a ter, mas mesmo assim vemos que seu agente apenas cumpre ordens de uma força superior. Outro nome que merece ser citado é o do Anthony Makie(Guerra ao Terror), que cria o agente Harry Mitchell de forma incrível, com expressões faciais quase naturais mostrando que ele está divido entre seu trabalho e seus sentimentos, e tornando suas ações no decorrer do filme naturais e não forçadas.

O filme é excelente, porem como disse anteriormente, possuía potencial muito superior. O final chega a ser um pouco forçado e decepcionante, podendo ter sido trabalhado melhor, com elementos surpresas menos na cara. Talvez se ele tivesse se atrelado ao final do conto de Dick, ou feito algo na mesma linha, o resultado teria sido, como eu já havia citado, um clássico moderno. Mas mesmo não atingindo esse patamar, o final não é ruim. Talvez Nolfi apenas tenha ficado com medo de sofrer criticas, que já havia escapado quando pós a religiosidade da historia em segundo plano, e não arriscou a trazer ela totalmente à tona no final. Ou talvez ele só não pensou em algo melhor. Seja o motivo, ele ainda assim estréia no cinema com um excelente filme que deve ser conferido com certeza. Nolfi soube dosar ação, romance, misticismo e filosofia homeopaticamente de forma a gerar uma película divertida, emocionante e com capacidade de nos fazer refletir. 


Os Agentes do Destino


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